Longevidade saudável é a nova tendência na área da estética


A busca por traços perfeitos está dando lugar a um novo momento global: o rejuvenescimento consciente ou a reversão de procedimentos estéticos. O movimento, que começou no exterior impulsionado por celebridades, já chegou ao Brasil e ao Paraná.

É o que garante a biomédica Karla Malachoski, especialista em biomedicina estética e mestre em Biotecnologia. Segundo ela, durante anos ocorreu uma grande valorização de intervenções que modificavam as características individuais, especialmente no rosto. Na atualidade, ela observa uma atitude diferente: o paciente continua procurando o setor, mas quer que o resultado seja cada vez menos perceptível como algo “realizado”.

Na percepção da especialista - que integra as comissões de ética e de estética do Conselho Regional de Biomedicina do Paraná 6ª Região (CRBM6) -, é cada vez maior a procura pela naturalidade, pela preservação dos traços pessoais e pela qualidade da pele.

“Muitos pacientes desejam corrigir ou reverter excessos feitos anteriormente. A estética está deixando de ser associada à transformação para assumir um papel de cuidado, prevenção e envelhecimento saudável. Naturalidade passou a ser sinônimo de sofisticação”, enfatiza a biomédica.

Mudança comportamental
Karla observa que existe um grande salto conceitual quando se compara a busca pelo rejuvenescimento a qualquer custo e a longevidade saudável.

O rejuvenescimento desenfreado parte da ideia de que envelhecer é algo que precisa ser combatido ou escondido. Já a longevidade saudável entende a maturação como um processo natural e procura fazer com que ela aconteça da melhor maneira possível.

Na saúde estética, argumenta, longevidade significa preservar identidade, função, proporções e qualidade tecidual. “Não precisamos buscar um rosto de 30 anos em uma pessoa de 60. Precisamos olhar para aquele ser humano e pensar em como podemos ajudá-lo a envelhecer bem, respeitando sua anatomia, sua experiência de vida e sua história.”

“É por isso que, atualmente, a biomedicina fala mais em saúde da pele, estímulo de colágeno, regeneração tecidual, prevenção e tratamentos personalizados do que simplesmente em adicionar volume ou apagar as marcas do tempo”, explica.

A personalização no atendimento é um dos pontos-chave no cenário atual, uma vez que duas pessoas com 40 anos podem ter necessidades completamente diferentes.

Assim, argumenta a biomédica esteta, além de todo conhecimento científico e técnico, o profissional precisa saber ouvir e compreender o paciente, auxiliando com orientações na tomada de decisões.

“Não podemos ignorar a influência social. Redes sociais, filtros, inteligência artificial e padrões estéticos digitais criaram uma exposição intensa à própria imagem. Isso pode levar pessoas cada vez mais jovens a procurar intervenções sem uma indicação real”, complementa.

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