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Especialista alerta para a conscientização sobre a hanseníase



A hanseníase, chamada antigamente de lepra, é uma doença infecciosa causada por uma bactéria chamada Mycobacterium leprae e que afeta a pele e os nervos. Segundo a Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD), cerca de 30 mil novos casos são diagnosticados por ano no Brasil. “Este dado representa um importante problema de saúde pública, pois apesar do tratamento levar a cura, quando não tratada, pode trazer sequelas e incapacidades”, pontua a Dra. Myrciara Macedo de Alcântara do Hospital Santa Cruz, CRM 39799 / RQE 23260.

A hanseníase é transmitida por contato com gotículas de saliva e secreções nasais por um longo período de tempo. A Dra. Myrciara explica que após o contato e infecção, o início dos sintomas pode variar entre seis meses a cinco anos, mas apenas 10% da população pode desenvolver a doença, pois os demais têm imunidade natural ao bacilo. “Algumas pessoas apresentarão uma forma não contagiosa da doença, chamada de paucibacilar, enquanto outros terão a forma contagiosa ou multibacilar. Esta diferença dependerá da relação entre genética e resposta imune de cada indivíduo frente ao bacilo”, conclui a médica.

Os primeiros sintomas podem variar entre manchas claras, avermelhadas ou mais escuras na pele, redução de pelos ou da sudorese no local. Outro possível sinal é a alteração da sensibilidade tátil, dolorosa ou térmica de alguma região do corpo. “O acometimento dos nervos pode levar a dormência, redução da força muscular, atrofia e em casos mais avançados, o paciente pode desenvolver incapacidades físicas permanentes. A hanseníase, apesar de ser endêmica no Brasil, ainda é uma doença negligenciada e estigmatizada, principalmente, por causa da possibilidade de desenvolvimento de limitações físicas e sequelas quando não tratadas. Por isso, o diagnóstico e o tratamento precoce são de extrema importância, pois, além de evitar sequelas, após a primeira dose da medicação, o paciente já não transmite mais a doença”, explica a médica do Hospital Santa Cruz.

O diagnóstico é essencialmente clínico, realizado através de exame dermatoneurológico, no qual, o médico analisa a pele e os nervos periféricos pela palpação. Também são realizados testes de sensibilidade e de força muscular. “É importante lembrar que as pessoas que conviveram com pacientes antes do tratamento, devem sempre ser examinadas em busca de lesões cutâneas ou alterações neurais não percebidas previamente. O tratamento da hanseníase é eficaz, gratuito e fornecido pelo SUS (Sistema Único de Saúde)”, pontua a Dra. Myrciara.

A melhor forma de prevenção é por meio da manutenção de hábitos de vida saudáveis, medidas higiênicas e, principalmente, a busca pelo diagnóstico e tratamento precoce, reduzindo a transmissão da doença e evitando possíveis sequelas.

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