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Sucesso do Novo Ensino Médio depende de mudanças na formação de professores

 

O Ensino Médio sempre foi uma das etapas mais desafiadoras da Educação Básica. Com baixos índices de aprendizagem e a alta evasão escolar nessa fase, estava claro que o modelo adotado precisava ser revisto. O Novo Ensino Médio, que começa a ser implantado com mais ênfase nas escolas brasileiras a partir de 2022, é uma ampla reforma nesse segmento, com o objetivo de estabelecer um ensino com mais qualidade e que considere os interesses dos jovens frente às exigências de um mundo em transformação.

De acordo com a coordenadora pedagógica da Conquista Solução Educacional, Jeanne Suzuki Muniz, diante de um cenário que, a partir do próximo ano, deve trazer mudanças significativas para a educação dos jovens, é preciso repensar a formação inicial e continuada dos professores. "Os educadores devem estar preparados para uma flexibilização do currículo e para oferecerem apoio ao projeto de vida dos alunos", sugere.

Segundo ela, é preciso ter um novo olhar para a formação docente e entender que ela passa por uma transformação que a desassocia da lógica tradicional, para que os professores se adaptem a uma abordagem mais integrada e coerente com a nova proposta. "E a base de um professor bem formado passa pelo conhecimento, prática e engajamento profissional", afirma Jeanne.

O Novo Ensino Médio traz a necessidade de uma maior interdisciplinaridade entre as áreas do conhecimento. Segundo a educadora, o professor deve ser colocado em contato com essa ideia desde cedo, já na formação inicial. "Precisamos romper com a fragmentação curricular e o foco na teoria", alerta. 

De acordo com ela, os futuros educadores devem focar na prática e ter uma visão sistêmica da Educação. "É preciso prepará-los para trabalhar em equipe na perspectiva de desenvolver o processo de ensino e aprendizagem por áreas de conhecimento. Esse conceito é uma das bases do novo modelo de Ensino Médio e espera-se que os assuntos sejam debatidos como um todo, sem fronteiras entre as disciplinas e não de forma isolada e sem conexão. É nessa abordagem que desejamos preparar esse jovem para a vida", explica.

Outro ponto destacado pela coordenadora pedagógica é que os professores também devem ser preparados para uma educação digital, já que o Novo Ensino Médio permite que parte da carga horária seja realizada na modalidade de Educação a Distância (EaD) - 20% para os alunos do período diurno e 30% para o noturno. Com as adaptações que as escolas precisaram fazer durante a pandemia, a tecnologia e o modelo de ensino híbrido passaram a fazer parte da realidade dos professores. 

Uma pesquisa realizada pela Fundação Lemann, em parceria com o Instituto Datafolha, aponta que 73% dos 2,6 milhões de docentes brasileiros querem usar mais tecnologia em aula do que usavam antes da pandemia. "Mas será que todo esse universo de professores está realmente preparado para explorar todas as potencialidades que os novos recursos tecnológicos oferecem para a aprendizagem dos alunos?", questiona a educadora.

Segundo ela, neste momento de definições, implantação e transição de um modelo antigo para o Novo Ensino Médio, os professores devem atuar de forma conjunta e colaborativa, participando ativamente do processo. "O professor precisa entender a sala de aula como algo que pode ser levado para a vida real dos alunos. Dessa forma, ele vai conseguir fazer o jovem enxergar essa conexão entre o aprendizado e sua vida. A grande diferença será dar significado para tudo o que é importante saber, fazer, sentir e praticar. O aluno precisa aplicar esse conhecimento e saber o que fazer com ele, criar um contexto, um sentido para as coisas. E ele só conseguirá isso se houver um professor preparado para apontar o caminho", acrescenta.

Luis Carlos Santos, diretor pedagógico do Colégio Betel, no Rio de Janeiro, afirma que a escola tem investido em treinamento para os professores, a fim de prepará-los para o Novo Ensino Médio. Mas o educador destaca que o treinamento apenas não será suficiente para que o professor consiga vencer os novos desafios. "Os professores, daqui para frente, vão precisar mudar a mentalidade, aprender a desaprender para conseguirem incorporar em suas práticas as mudanças necessárias. Não dá mais para ficar preso a conceitos e práticas que eram aplicados antes em sala de aula, mas que já não funcionam mais com as atuais gerações", alerta Santos.

Para o gestor escolar, levar o aluno mais adiante será necessário olhar para o Ensino Médio de antes sem se prender a ele. "O estudante de hoje tem que aprender fazendo, tem que entender porque está aprendendo determinado conteúdo, onde ele será aplicado. E para isso, o professor que está ali como mediador entre o jovem e o conhecimento vai ter que fazer uma releitura das práticas pedagógicas e também do mundo à sua volta. Se o professor não estiver preparado para dialogar com o aluno, não haverá comunicação entre eles e, portanto, não haverá aprendizado", finaliza.

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