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"Profissão de estilista é muito cruel"


Um dos nomes mais conhecidos do mundo da moda no Brasil, o paulistano Herchcovitch tem ligação com a agulha e linha desde criança. Influência da mãe, que tinha uma confecção de lingeries. Suas referências para criar fogem do caminho da maioria, que segue tendências. Ele é mais influenciado pelos acontecimentos do mundo e, por isso, os movimentos de rua ocorridos na cidade de São Paulo tocaram o estilista. “Acho que tudo que eu absorvo acaba influenciando naquilo que vou fazer. Não dá pra separar muito, é uma coisa intuitiva”, diz Alexandre, completando que sairia às ruas pela igualdade de direitos: “Todos nós temos os mesmos deveres, mas não temos os mesmos direitos”.

Seu processo de criação envolve estar em constante troca com outras pessoas. “Meu trabalho é sempre em grupo e nem sempre a melhor ideia é a minha... Meu papel hoje é fazer a curadoria das melhores ideias. Eu não tenho uma sala só minha. Nunca tive”. É essa confiança na opinião dos outros que Herchcovitch explica os desafios da profissão e também desabafa. “Eu preciso ouvir a opinião de quem eu confio, porque a cada seis meses você tem que criar uma coleção nova ou várias coleções, onde você tem que se superar, continuar seduzindo o cliente... então, o que eu acho é que a profissão de estilista é muito cruel. A gente tem que ter ideias sem parar porque nós mesmos acostumamos os clientes que a cada seis meses eles vão ver uma coisa nova”.

Aliás, a profissão de estilista é bem esclarecida durante a entrevista quando Alexandre faz uma síntese do trabalho. “O estilista cria produtos. Se fosse há dez anos, eu diria que ele cria roupas. Hoje o estilista é um designer... não fala só através da roupa. Ele é convidado pra desenhar objetos e interferir dentro da casa com produtos”.

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